"O Poço" explicado: Seus personagens e o significado do final


“Não há mudança nem solidariedade espontâneas, algo tem que acontecer primeiro”, diz uma das falas emblemáticas de “O Poço”.


O novo filme da Netflix deixou muita gente enlouquecida com o final enigmático. Mas há muito mais do que isso para refletir.

Alerta de muitos spoilers!!! Se você não viu o filme e prefere ser surpreendido, pare de ler agora e volte depois...rs




Bom, vamos lá...


"O Poço" conta a história de Goreng, um homem que acorda como prisioneiro em uma prisão vertical. Com centenas de níveis, o lugar se baseia na divisão da comida: um banquete vem descendo do nível zero até o fim - quanto mais para baixo, menos alimento e mais precária a situação.

O poço, claro, é uma representação da sociedade, e, como o companheiro de cela de Goreng diz, “existem os de cima, os de baixo e os que caem”. A comida é o recurso - quanto mais em cima se está, mais recursos estão disponíveis, até que não sobre nada para quem está abaixo.


A prisão funciona de forma aleatória: é impossível saber onde se estará no mês seguinte, quem estará ao seu lado, quais serão os recursos disponíveis e as ameaças existentes. Em vários momentos, os personagens soltam frases sobre como o lugar funciona - mensagens que, claro, também servem de reflexão para quem está assistindo.


Quando Goreng sugere a divisão de recursos, seu companheiro pergunta se ele é comunista. “Os de cima não ouvem os comunistas”, alerta. Em outros momentos há falas como “não fale com os que estão embaixo”, “agradeça por estar onde está”, “se eles pudessem, também cuspiriam na nossa comida”, entre outras.

Em linhas gerais, então, o filme convida o público a refletir sobre a crueldade do sistema social de forma bem explícita: quem está acima não se importa com quem está abaixo; quem está abaixo perde qualquer senso de compaixão após ter seus recursos e dignidade cortados. O individualismo é a lei.




Quem é o velho?


Podemos interpretar o companheiro de cela de Goreng, como o “status quo”, ou seja, “as coisas são assim mesmo e não vão mudar”. É ele quem ensina o protagonista como o poço funciona: despreze quem está embaixo, não peça nada a quem está em cima (“eles não ouvem”), aceite sua condição e os outros que lutem.


Vale notar também que velho vai parar na prisão após ser enganado pelo consumismo (que o faz comprar coisas sem necessidade): na frustração, ele mata uma pessoa que não tinha nada a ver com a situação.


Outra interpretação possível é que o velho seja “Deus”: ele está sempre falando na consciência de Goreng e parece ter a resposta para tudo, embora nem sempre queira dá-la.




O livro e a faca



Cada prisioneiro pode levar um item à prisão. O velho leva uma faca e Goreng, um livro. Quanto mais abaixo eles estão, mais a faca se mostra útil e o livro, inútil. “Não há espaço para isso aqui”, diz o velho.


Podemos interpretar esse embate como cultura x violência. Quando a situação aperta, o lado racional fica de lado e a arma se torna o único meio de sobrevivência.




Baharat e a intolerância



Ao chegar no nível 6, quase no alto, Goreng conhece um homem negro chamado Baharat. O personagem traz uma corda e tenta conversar com o casal que está no nível acima, para que eles os ajudem a subir. “Em que deus você acredita?”, pergunta o homem de cima.


O casal não deixa Baharat subir, debocha, maltrata e violenta o homem. De forma bem clara, a situação representa a intolerância e o preconceito - de classe, de raça, de crença, etc.




Quem é a mulher com o cachorro?



Um dia, Goreng acorda ao lado de uma mulher, que trabalha para a administração (que podemos interpretar como o governo no mundo real). Sem a menor noção de como funciona o poço, ela acredita na lei e justiça para fazer o lugar funcionar - seu discurso é lindo, mas o conhecimento desse sistema é apenas teórico.


Assim, tenta pedir com "gentileza" que as pessoas que estão abaixo (passando fome) dividam a comida e, assim, não faltará a ninguém. A estratégia, claro, não funciona, já que no poço, a competição SEMPRE foi estimulada.




Tirania


Ao perceber que a “gentileza” da mulher não funciona, Goreng faz os que estão abaixo o obedecerem através de ameaças e violência. Representando um governo tirânico e ditador, o personagem encontra na opressão o único meio de fazer com que as pessoas sigam o que ELE acredita ser certo.


Assim, ele decide descer o poço e leva ao lado Baharat - que surgiu representando a vontade de melhorar de vida. Para chegar ao fundo impedindo que a comida acabe, eles ameaçam e matam quem tenta se opor. Aí vem o paradoxo: a intenção dos dois é boa (levar comida a quem está no último nível), mas as ações são ruins (violência). Os fins justificam os meios?




O que significa o final de "O Poço"? Quem é a criança?


No fim, Goreng chega à conclusão de que “a criança é a mensagem”. Encontrada literalmente no fundo do poço, a menina está intacta - o que explica a presença da mãe, que vagava pelos níveis. Em vários momentos, a mulher é taxada de louca: os outros acreditam que não existe criança alguma.


Não há uma explicação concreta, mas podemos interpretar que a mulher sempre fez o que Goreng está fazendo agora: subindo e descendo no poço para levar comida à filha e protegê-la.




O fundo do poço


Ao chegar no último nível (que é o número 333, carregado simbolismo espiritual), Goreng já ganhou a fama de messias e se encontra novamente com o velho. O protagonista diz que subirá até o nível zero para levar a criança como mensagem e seu companheiro diz que isso é egoísmo: o mensageiro não é necessário, apenas a mensagem. Goreng deve, então, se sacrificar pela sua crença (na mensagem). Ele não será mais visto pelos outros, mas o legado ficará.




Por que a criança é a mensagem?


São várias as interpretações, claro, mas na ficção, crianças costumam ser símbolo de esperança no futuro, pureza, inocência e bondade. Assim, a mensagem que deve chegar à administração é de que, apesar de tudo, o espírito humano, a compaixão, a solidariedade e a empatia sempre resistem, mesmo que “quem está em cima” nem acredite em sua existência.


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