Esse sentimento meio blah que você sente, tem nome



Não é esgotamento (burnout) – porque ainda temos energia. Não é depressão – porque não estamos nos sentindo sem esperança. Nós apenas nos sentimos um pouco sem alegria e sem objetivo. Acontece que há um nome para isso: languishing (definhando).


O definhamento é uma sensação de estagnação e vazio. Parece que você está atrapalhando seus dias, olhando para sua vida através de um pára-brisa embaçado. E pode ser a emoção dominante de 2022.


Enquanto cientistas e médicos trabalham para tratar e curar os sintomas físicos do Covid de longa duração, muitas pessoas estão lutando com a longa duração emocional da pandemia. Atingiu alguns de nós despreparados quando o intenso medo e a dor do ano passado desapareceram.

A sensação de vazio, estagnação ou tédio é uma espécie de herança emocional que a pandemia deixou e, embora seja muitas vezes imperceptível, ela é profunda.


É comum ouvir das pessoas próximas, que elas não estão mal, mas também não estão bem.

Este termo languishing foi popularizado por Adam Grant, em um artigo para o NY Times e em sucessivas entrevistas durante o ano de 2021.


Languishing é aquele sentimento meio “blah” é o hiato estabelecido entre a depressão e o florescimento, que faz com que as pessoas sejam indiferentes à própria indiferença.


Languishing não é exclusivo da pandemia. Embora tenhamos colocado uma lupa nas nossas emoções neste período, esta é uma condição humana que vem sendo estudada há muitos anos. Corey Keyes, um psicólogo Americano, ficou conhecido por cunhar ambos os termos psicológicos: "florescer/flourishing" e "definhar/languishing".


Por isso, é importante dar nome às sensações identificadas, já que seus sintomas são específicos:

  • Entorpecimento da Motivação: é como se estivéssemos no limbo, alternando entre o ânimo em executar algo e a perda súbita de vontade.

  • Concentração intermitente: focar em algo torna-se um desafio.

  • Baixa produtividade: desmotivados e desconcentrados, não temos o poder de ação necessário para avançarmos na profissão.

Este processo de languishing ou definhamento é lento e silencioso e pode ser o ponto de partida para problemas mais graves. Identificar os sintomas é o primeiro passo para buscar ajuda e barrar a evolução do quadro. Compartilhar experiências é o segundo. E o terceiro se configura como o mais desafiador e necessário para a mudança: fluxo ou flow!


Adam Grant compartilha 3 maneiras para estimular o fluxo ou o que ele chama de peak flow. A partir deste entendimento, nos preparamos para uma participação ativa no mundo real e não naquele que criamos para fugir de situações desconfortáveis que não sabíamos nominar:


  • Mastery (excelência): o primeiro passo é o reconhecimento de pequenas vitórias e aprendizados diários. São eles que contribuem com o senso de progresso e nos incentivam a seguir em frente.

  • Mindfulness (atenção plena): o segundo passo é observar a rotina e se desconectar de tudo que dispersa sua atenção para manter o foco no que realmente importa. O foco é essencial para alcançar os níveis necessários de concentração em projetos importantes ou dedicação no nosso autodesenvolvimento.

  • Mattering (sentido): o terceiro passo é entender de que forma podemos fazer a diferença para a sociedade. Uma vez que entendemos o propósito e a importância dele para o todo, tendemos a ter ainda mais comprometimento com o que fazemos.

Estar em flow ou deixar fluir, na prática, é estar presente e consciente, tirando todo o proveito possível do momento.


É como se estivéssemos nos desligando das distrações naturais e mergulhando numa ação específica e necessária. E não estamos nos referindo, necessariamente, a situações exitosas, mas prazerosas e, muitas vezes, simples e naturais, como aproveitar bons momentos ao lado de pessoas que amamos.


Quando respeitamos o nosso momento, aumentamos a nossa capacidade de focar e de nos concentrarmos em algo significativo, despertando emoções positivas como a satisfação e a alegria.

*Este texto possui partes extraidas da publicação origi

nal de Juliana Sawaia, que foi inspirado no artigo Languising (There’s a Name for the Blah You’re Feeling: It’s Called Languishing) de Adam Grant.

Texto na íntegra de Juliana Sawaia - https://www.linkedin.com/pulse/voc%C3%AA-n%C3%A3o-est%C3%A1-mal-mas-tamb%C3%A9m-bem-isto-tem-nome-juliana-sawaia/