FORTO: O Medo de Voltar ao Escritório



Esse receio já até ganhou nome: "forto"; sigla para fear of returning to the office. Os motivos variam. Para os mais introvertidos, a dinâmica social de um escritório pode ser motivo de grande estresse. Para outros, o trabalho remoto facilitou o dia a dia, sobretudo para quem tem filho ou que enfrentava muitas horas no trânsito para chegar ao trabalho.


A covid-19 e a necessidade do isolamento social afetaram as pessoas por todo mundo, mas aparentemente os impactos foram maiores por aqui. Segundo o estudo “Rastreando o Coronavírus”, uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos em 16 nações, o Brasil é o país que mais sofre com ansiedade por causa da pandemia. Nada menos que 53% dos brasileiros declaram que seu bem-estar mental piorou no último ano.


Os números do Brasil na pesquisa, que nos colocam como campeões da ansiedade durante a pandemia, evidencia a necessidade que temos em entender melhor as dificuldades que podemos atravessar por esses tempos. Neste cenário, a atuação dos psicólogos – categoria que comemora seu dia neste 27 de agosto – se faz primordial, ainda mais em dias tão complexos como os que têm sido vivenciados.



Isolamento social e home office


Aos que puderam aderir ao trabalho remoto, voltar ao dia a dia presencial pode gerar uma mistura de sentimentos. Existe a saudade do ambiente com os colegas, o momento do cafezinho, do bate papo, das trocas que só mesmo estando junto se pode vivenciar. Mas há também a sensação de angústia e medo causados pelo momento pandêmico que ainda está acontecendo.


Muitos ainda não se sentem preparados para voltar à antiga rotina: conviver em ambientes fechados, interação social, deslocamento, usar transportes públicos. Voltar ao presencial significa se expor, conviver com os colegas, almoçar fora. Pensar nessas situações pode ser um agente estressante, que já tem até um nome: fear of returning to the office – ou FORTO.


O termo – “medo de voltar para o escritório” em tradução literal – descreve esse receio do retorno ao trabalho presencial. O FORTO tem maior propensão de acometer os mais introvertidos (que não se adequavam tão bem à dinâmica social do escritório), quem tinha um cotidiano corrido (e perdiam muito tempo no deslocamento) e os que se adaptaram bem ao home office (e questionam a necessidade da volta ao presencial).



Adaptando o FORTO à nova rotina


As mudanças causadas pelo coronavírus atrapalharam em muitos aspectos a vida dos trabalhadores. Mas nem tudo piorou. Com menos interação, o estresse e os atritos com colegas diminuíram. Trabalhar de casa dá a possibilidade de controlar o ambiente, não exige deslocamento e a ansiedade por conta da exposição ao vírus é muito menor.


Sair dessa rotina, que se tornou confortável, causa medo. Pela legislação, a CLT estabelece um período mínimo de 15 dias para a transição do home office para o presencial. Esse retorno pode ser um desafio, mas é possível ser conversado entre as partes. Não se trata apenas da preocupação com a Covid, mas também com o bem-estar psicológico dos funcionários.



O FORTO na volta ao convívio


O FORTO e seus sintomas podem até mesmo afetar a performance do profissional. O ideal é que as empresas tenham sensibilidade para lidar com essa transição. De forma individual, quem está passando por esse momento, deve focar nas realidades e se adequar ao que pode ser controlado. O blog Cuidado pra Vida sempre traz dicas de saúde para seus leitores e tem algumas sugestões que podem facilitar a volta ao trabalho presencial. Mas não se esqueça: se o medo e a ansiedade persistirem, não hesite em buscar ajuda.


Proteja-se: voltando ao trabalho, dentro do possível, mantenha o distanciamento e siga os protocolos de segurança: sempre utilize a máscara de forma adequada, higienize as mãos e mantenha o álcool sempre por perto.


Prepare seu ambiente: após tanto tempo longe, você vai precisar organizar seu local de trabalho. Tire um momento para essa arrumação e aproveite para higienizar os objetos com produtos de limpeza. Leve alguns pertences pessoais para alegrar o ambiente e, se possível, uma planta: ela ajuda a reduzir os níveis de estresse no escritório e aumenta a produtividade.


Prepare seu visual: sim, se vestir bem ajudará! Quando você tira seu pijama confortável e escolhe uma roupa bonita, se sente mais confiante. E essa confiança ajudará a reduzir o FORTO.


Coloque seu sono em dia: durante o home office, nos acostumamos a dormir até bem próximo do horário do início do expediente. Voltando à rotina de sair de casa, será necessário dormir bem para passar o dia bem.



O Cuidado necessário para voltar com saúde


Seja por seus próprios meios, seja com a ajuda de um psicólogo, o caminho para evitar o FORTO é minar as fontes de ansiedade para ter uma volta tranquila aos escritórios.


Psiquiatra e especialista em terapia interpessoal, Luan Diego Marques indica que a forma como cada pessoa lida com a volta ao trabalho presencial pode ser diferente, dependendo da maneira como o profissional interpreta o momento atual. “Alguns ainda tem a pandemia como um grande pavor e uma situação de ansiedade. Ainda mais quando possuem pessoas do grupo de risco em casa que ainda não foram infectadas. Essa preocupação que pode levar à improdutividade ou situações emocionais adversas no ambiente de trabalho”, pontua.


Para lidar com essa situação, Luan sugere que as empresas realizem reuniões iniciais claras sobre o processo de retorno, além da implementação de um protocolo de segurança bem estruturado. “Isso ajuda a gerar confiança nos colaboradores em relação ao retorno presencial. As organizações também precisam identificar dentro do quadro de profissional quem são as pessoas com essa preocupação ou ansiedade em relação ao retorno e quem está mais tranquilo ou já adquiriu Covid. Não existe apenas o risco de se levar o vírus para a casa, mas também o inverso”, indica.


Fonte: Época Negócios

Blog Colo de Mãe

Na prática.org